Liberdade, impostos e cidadania: veja o recado de um presidente digno de confiança

Você se lembra de um dia em que finalizou um projeto, tendo a sensação do dever cumprido e a impressão de que havia lições a serem compartilhadas?

Ronald Reagan conduziu um grande projeto ao longo de oito anos. Ao iniciá-lo, deixou claro em seu discurso de posse que o desemprego e a inflação eram os maiores problemas a serem enfrentados. E anunciou em 20/01/1981 que a produtividade do país estava se reduzindo em razão da excessiva carga tributária:

“Os negócios na nossa nação andam para trás. Estes Estados Unidos têm sido confrontados com uma aflição econômica de grandes proporções.

Nós sofremos a maior e uma das piores inflações sustentadas da história de nossa nação. Ela distorce nossas decisões econômicas, penaliza poupadores e esmaga igualmente jovens batalhadores e idosos cuja renda é fixa. Ameaça estraçalhar a vida de milhões de pessoas.

 Indústrias paralisadas têm seu contingente de trabalhadores no desemprego, miséria humana e indignação pessoal. Àqueles que trabalham é negado o justo retorno pelo seu trabalho, por um sistema tributário que penaliza quem atinge o sucesso e nos impede de manter a produtividade plena.(…)

Na presente crise, o governo não é a solução para nossos problemas; o governo é o problema.”

 ” Àqueles que trabalham é negado o justo retorno pelo seu trabalho, por um sistema tributário que penaliza quem atinge o sucesso e nos impede de manter a produtividade plena.”

Duas semanas depois, ele confirmava seu diagnóstico em outro discurso:

“Nós inventamos a linha de montagem e a produção em massa, porém políticas tributárias punitivas e regulações excessivas e desnecessárias, combinadas com o apetite de empréstimos do governo têm inibido nossa capacidade de atualizar fábricas e equipamentos.

Quando é feito investimento em capital, frequentemente é para suprir alguma alteração improdutiva exigida pelo governo para atender as várias regulamentações. A tributação excessiva de indivíduos tem roubado de nós o incentivo e tornado não lucrativas as horas extras.”

 

Ao longo dos oito anos seguintes, Reagan restaurou a confiança nos Estados Unidos. Conduziu a economia com firmeza para colocá-a nos trilhos; as empresas começaram a se recuperar. Fortaleceu as coisas ligadas a seu país. Reduziu, em várias frentes, a presença do Estado na economia. Extinguiu programas sociais ineficientes. Inventou o Programa Guerra nas Estrelas e produziu uma escalada que ajudou a ganhar a Guerra Fria. Contribuiu para apressar o declínio da ex-União Soviética, que já enfrentava problemas internos. Elegeu seu sucessor.

 “À  medida que o governo aumenta, a liberdade diminui.”

Em 11/01/1989 e ao final de seu segundo mandato, Reagan fez seu discurso de despedida. Ele agradeceu a oportunidade de servir, depois de ter contribuído para melhorar a situação do país e ter prosseguido com a luta por aliviar a vida do cidadão, restringindo a ação do governo.

Em uma parte do discurso, ele declarou o seguinte:

“Nossa revolução foi a primeira na história da humanidade que realmente mudou o rumo do governo. E com três palavras: ‘Nós, o Povo’.

 Somos nós, o Povo, que dizemos ao governo o que fazer. E não o contrário.

 Nós, o Povo, somos o motorista. O governo é o carro e somos nós que decidimos para onde ele deve ir, por qual rota e em que velocidade.

 Quase todas as constituições do mundo são documentos nos quais o Estado diz aos seus cidadãos quais são seus privilégios. 

 Nossa Constituição é um documento pelo qual nós, o Povo, dizemos ao governo aquilo que lhe é permitido fazer.

 Nós, o Povo, somos livres. Este princípio tem sido o fundamento de tudo o que procurei fazer nos últimos 8 anos. Mas lá nos anos 60, quando comecei, parecia que começávamos a inverter a ordem das coisas. Através de mais e mais regras e regulamentações e tributação predatória o governo confiscava mais do nosso dinheiro, mais de nossas opções e mais de nossa liberdade.

 Entrei na política, em parte, para poder levantar minha mão e dizer: “Pare!”

 Eu era um político cidadão e isso parecia ser o correto para um cidadão fazer.

 Acho que conseguimos parar muito do que precisava ser detido. E espero ter, uma vez mais, recordado às pessoas que o homem não é livre a não ser que o governo seja limitado.

 Há uma relação de causa e efeito aqui, tão clara e previsível quanto as leis da física: à medida que o governo aumenta, a liberdade diminui. 

 

 

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Na história dos governos, nem tudo sai conforme o planejado; resultados futuros de ações são difíceis de avaliar e progressos em um campo costumam vir acompanhados de dificuldades em outros. Os múltiplos efeitos de uma decisão geram incontáveis opiniões sobre a adequação das providências. A ação do governo tem seus limites, seus opositores, suas facetas e a sujeição a julgamentos enviesados por ideologia e interesse.

Mas grandes estadistas são lembrados pelo legado que deixam. Eles servem de modelo para seus concidadãos. Preocupam-se com os efeitos de suas ações e decisões sobre as gerações seguintes. Decidem com base no interesse coletivo. Unem ao invés de desunir.

São honrados. Agem movidos por princípios e convicções. Zelam pela liberdade. Fazem do Estado um instrumento a serviço da nação e usam sua experiência e visão a favor do povo. São realistas ao lidar com turbulências e apontar soluções. Agigantam-se diante de crises a enfrentar. Quando estão diante de opções, escolhem fazer aquilo que é melhor para o país. São pessoas decentes. Engrandecem o país a que servem.

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José Luís Neves é profissional da área de planejamento e finanças. Administrador  e economista, tem mestrado em Administração pela USP. Possui mais de 25 anos de experiência em empresas de consultoria e serviços como gestor de finanças, coordenando processos de controladoria, financeiro e contábil. Reside em São Paulo, SP.

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