Se Você Quer Chegar Onde a MAIORIA Não Chega, Faça o Que a Maioria NÃO FAZ.

Se você faz o que todo mundo faz, chega aonde todos chegam. Se você quer chegar a um lugar aonde a massa não chega, precisa fazer algo que a maioria NÃO FAZ.*

A maioria das vezes que vejo alguém usar essa citação, atribuída ao *Bil Gates, é para vender cursos de capacitação técnica. Afinal, uma das formas de você se diferenciar da massa é estudar, capacitar-se, talvez até tornar-se tecnicamente perfeito em sua profissão, não é mesmo?

Sim, é verdade, até certo ponto.

Capacitação é necessária para sua função, mas convenhamos, depois de um certo nível de aptidão técnica, geralmente o gargalo é outro: não é técnico, é comportamental.

Tanto é verdade, que as pessoas com habilidades essencialmente técnicas acabam sendo designadas para atividades isoladas e sem muito interação humana.

nerd_worker(ok, estou exagerando um pouco)

Mas falando sério. Em 2015 muitas, mas muitas pessoas da minha rede de contatos no LinkedIn perderam seus empregos. E uma boa parte delas aproveitou o tempo para reciclar os conhecimentos enquanto procura uma nova colocação.

Além de conhecimentos técnicos, claro que existem maneiras de reciclar as habilidades comportamentais. Vejo apenas uma dificuldade: este outro tipo de reciclagem pode doer. É SIM, DÓI E DÓI MUITO. Rever comportamentos, por algum motivo nos fere mortalmente.

Conhecimento técnico é algo mais impessoal, mas quando falamos em reciclar comportamentos trazemos a questão para um nível tão pessoal que algumas coisas doem demais para serem feitas de bom grado.

Feedback e frio na barriga

Quando assisti a aula 1 deste treinamento do Ricardo Piovan, percebi que a coisa não ia ser fácil. Ele propôs cada um solicitar um feedback no âmbito profissional a 4 pessoas no cujo julgamento você admira e respeita.

Só de pensar nisso dá um frio na barriga?

Um colega mais audaz foi um pouco além:

“- Fui pedir para minha esposa falar meus pontos limitantes, ela acabou comigo; mas fiquei quietinho…”

A maioria dos funcionários estão familiarizados com os seus supervisores fazendo avaliações a cada 12 meses. Essas avaliações envolvem geralmente receber o feedback a partir de uma única perspectiva: a de seu gerente.

Embora essas avaliações sejam vitais, eles raramente fornecem um feedback que leva ao desenvolvimento profissional do funcionário. Normalmente, uma avaliação padrão de trabalho é focada nas questões de desempenho em função de metas e para por aí.

Quando você escolhe as 4 pessoas para esse exercício do Ricardo a coisa toda toma uma dimensão mais ampla. Uma coisa é uma revisão sobre o trabalho de um empregado, uma avaliação 360 é sobre a pessoa em si. Naturalmente se torna muito pessoal, poderoso e potencialmente DOLOROSO.

A importância do feedback

Não há como não enfatizar esse ponto:

Mais importante do que rechear o currículo de mais cursos é desenvolver novas habilidades comportamentais.

E observe: todas as habilidades podem ser aprendidas, mas nem todas as habilidades são fáceis de aprender.

Isso é particularmente verdade com relação a algumas das habilidades mais importantes em nossas vidas: liderança, comunicação e trabalho em equipe. Essas habilidades podem não soar tão atraentes em nossa cultura tão focada em tecnologia atualmente, mas são as habilidades comportamentais e não as habilidades técnicas que separam as pessoas que estão no topo do seu potencial de carreira de todos os outros.

E você sabe disso, pois já deve ter admirado alguém que progrediu muito na carreira profissional porque era uma pessoa forte tanto nas habilidades técnicas como de comportamento.

As 10.000 horas

Dizem que leva cerca de 10.000 horas para se tornar um especialista em qualquer coisa – mas em termos de comportamento 10.000 horas pode ser muito pouco. Eu diria que mesmo depois de 10.000 horas de prática de trabalho em equipe, caso você não receba feedbacks frequentes e de qualidade, você estaria ainda sujeito a ganhar esse presente de amigo secreto no final do ano:

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É por isso que, ao contrário da crença popular, é mais fácil de se tornar um especialista em habilidades técnicas (como a contabilidade e programação) do que se tornar um especialista em habilidades de comportamento (como o trabalho em equipe).

As habilidades técnicas são mais fáceis, porque elas tem um sistema interno de controle de qualidade; você percebe quase que sozinho se consegue entregar o resultado ou não. O feedback é inevitável.

Habilidades comportamentais não têm um mecanismo interno de controle de qualidade; você precisa do feedback de outras pessoas.

Eu não sei onde você trabalha, mas na maioria dos locais as pessoas não são propensas a oferecer-lhe um feedback de forma construtiva e frequente. A maioria de nós tem sorte se o nosso gerente fornece-nos um feedback a cada poucos meses, e nossos colegas normalmente não acham que isso é da conta deles.

É aí que esse tipo de exercício proposto, pelo Ricardo Piovan, no estilo de um feedback 360, é útil.

Particularmente quando o profissional procura:

  • Identificar um ponto de partida para o desenvolvimento de novas competências.
  • Medir o progresso a medida que tenta desenvolver novas habilidades ao longo do tempo.
  • Identificar os pontos cegos pessoais de comportamento e o impacto que eles geram mas que nós mesmos nunca percebemos.

Assista enquanto ainda está no ar:

3 HÁBITOS que transformam qualquer pessoa em um profissional extraordinário

Depois me diga o que achou do vídeo, você tem o meu email.

Abraços

Flávio Zanotta

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