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Transporte rodoviário de carga. O futuro chegou, e agora?

Em 2014 cerca de 11% do PIB nacional foram perdidos em imprevistos no transporte de bens entre o produtor e o consumidor,  o equivalente a R$ 618 bilhões. Deste montante, cerca de R$ 392 bilhões são originados pelas perdas no transporte rodoviário.

O debate sobre o aumento dos custos nos transportes de cargas, cada vez mais, converge para os benefícios prometidos por uma série de projetos que buscam ampliar a autonomia dos veículos de cargas. O professor de Logística da Universidade Mackenzie Campinas, Mauro Roberto Schlüter, é autor de artigos sobre o tema. Para ele, a revolução tecnológica pode estar mais próxima do que se imagina, ou seja, em um prazo pouco superior a 10 anos.

O objetivo é buscar alternativas tecnológicas embarcadas e mudanças de comportamento capazes de amenizar uma parcela das perdas. Softwares inteligentes e investimentos em treinamento de pessoal são algumas das linhas de combate.

Schlüter destaca que a utilização dos veículos autônomos – em fase avançada de testes no País e nos Estados Unidos – possibilita uma infinidade de projeções relacionadas à erradicação das perdas no transporte de cargas. Como conseqüência, a tendência é de que haja a diminuição de custos e também a melhoria da qualidade dos serviços prestados no sistema logístico.

“Existem aplicativos de economia compartilhada que já estão revolucionando o transporte urbano, como por exemplo o Uber e o Waze. O Waze já oferece a possibilidade de fixar um percurso para que as pessoas interessadas se desloquem até determinado ponto para pegar carona em um trecho específico. O fato é que isso deve chegar ao transporte de cargas”, prevê.

Na avaliação de Schlüter, cada perda erradicada proporcionará ganhos de competitividade, melhoria dos processos, mas também relegará ao ostracismo as atividades que não estão em sinergia com os novos conceitos. Atualmente, o fator de dirigibilidade fora dos padrões gera prejuízos, seja por excesso de consumo, de manutenção ou de risco. Com o novo cenário, revela Schlüter, os cortes tendem a ser concentrados em empresas seguradoras, reguladoras e corretoras de transporte de cargas. Além disso, ele prevê diminuição de serviços ofertados pelas oficinas mecânicas e revendas de caminhões.

A automação do processo de condução de caminhões proporcionará também a perda de postos de trabalho de motoristas que são funcionários das empresas de transporte rodoviário de cargas, bem como a diminuição da capacidade de competitividade dos caminhoneiros autônomos”, afirma.

Schlüter compara o panorama atual com os primórdios da chamada revolução verde, ou seja, a combinação de mecanização em plantio e colheita e adubação por defensivos agrícolas que elevou a produtividade no campo, mas dispersou a mão de obra.

“A profissão de caminhoneiro autônomo e de motoristas de longo curso vinculado à transportadora tende a desaparecer. É o mesmo processo que gerou o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)”, diz o professor, ao lembrar que, atualmente, existe mais de 1 milhão de caminhoneiros autônomos e cerca de 200 mil motoristas de longo curso em atividade.

Assim, as soluções mais visíveis no horizonte próximo irão partir do segmento privado, desenvolvendo tecnologia e capacitação profissional.

O empresário do segmento de transporte vai ter que repensar suas operações e o controle de custos será o diferencial estratégico de sucesso. O exercício da gestão está cada dia mais complexo, porém, rico em oportunidades de desenvolvimento.

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